.Estar aqui em Nova York durante essa eleição e na noite da apuração foi tão incrível que compensou por quase todas as coisas chatas destes dois meses aqui, como a falta de dinheiro, os ratos, o excesso de coisas pra ler e fazer pra universidade, minha dor na perna, e etc.
Se as pessoas do mundo inteiro se sentiram diante de um momento histórico, podem acreditar que aqui essa sensação era ainda maior. Todo mundo me disse que foi a primeira vez que, em uma eleição (seja do que for) as pessoas saíram para a rua para a comemorar. Parecia uma final de copa do mundo. Gente gritando, chorando, dançando, pulando, tirando foto. O metro buzinou quando passou pela estação (nunca tinha visto isso). Todo mundo querendo aproveitar aquele momento ao máximo. Cheguei em quase quase as 2:30 da manhã, depois de ter ido para Times Square, onde os telões com as imagens de Obama formavam um espetáculo incrível. De deixar qualquer um tonto.
No dia seguinte, tentei comprar um jornal para guardar. Foi impossível. Nada de jornal nas bancas, nenhum. Todos esgotaram de manhã cedíssimo. Na aula, uma colega, negra, se emocionou contando do esforço que a mãe dela tinha feito na campanha e chorou, dizendo que era quase difícil de acreditar no que tinha acontecido. Essa foi a frase que quase todos disseram no dia seguinte - que era difícil de acreditar. Que o mundo havia, definitivamente, mudado. Eu espero que sim. Me senti privilegiada por estar aqui nessa hora, e espero, nos próximos vezes, conseguir ver alguma coisa da prometida mudança.